domingo, 4 de julho de 2010

Animal: anta

A anta é o maior mamífero da América do Sul. Animal de modos solitários, é membro da ordem dos perissodactyla, vivendo em ambientes úmidos como florestas e margens de rios. Sua dieta é constituída à base de vegetais: comilona, a anta chega a ingerir até mesmo quarenta quilogramas de frutas e folhas por dia.

Embora geralmente pacatas, as antas possuem a força necessária para se defender quando preciso. Sua força: um diamante bruto. Orgulho sulamericano, algumas antas tornaram-se célebres em todo o mundo por sua participação no famoso filme de ficção científica '2001: Uma Odisséia no Espaço', dirigido por Stanley Kubrick. Licença poética, tão somente. Jamais poderiam ter existido em cenário árido como o retratado no filme.

Que animal magnífico! Contemplem suas formas concisas e herméticas:












O que poucos sabem, no entanto, é que além das quatro espécies de anta cientificamente catalogadas (Tapirus: terrestris, bairdii, pinchaque e indicus), existe uma quinta sobre a qual raramente se faz qualquer menção. Seu nome é maldito e provoca pavor entre os estudiosos. Teme-se que talvez nem mesmo possa ser escrito com as letras previstas pelo homem, conquanto não haja até hoje quem tenha tentado. Uma de suas características é particularmente assombrosa: tais antas medem o tamanho de um polegar.

Essas pequenas antas preferem o meio urbano ao selvático. Em caso de urbano-decadente, tão melhor. Quartos de jovens estudantes solitários e longos corredores sem portas parecem ser exatamente propícios para o desenvolvimento desses fantásticos animais (especula-se que não possam suportar a existência em local onde exista o mínimo de amor). Seus hábitos alimentares merecem atenção especial: excluem o vegetarianismo e concentram-se em plástico e restos de unhas. Dado curioso é que não toleram ser vistas por seres humanos: ao menor sinal da presença de qualquer indivíduo correm rapidamente para debaixo de algum móvel, onde se desmaterializam de maneira ainda incompreensível.

Curiosas são as teoriais que buscam explicar suas origens. Uma delas, de cunho teleológico, propõe que sejam esses animais os guardiões de certo segredo para se alcançar a consciência plena. Outra, de aspecto religioso, sugere que sejam provenientes das lágrimas que os anjos choraram quando da crucificação de Cristo. Uma terceira, bastante prática, afirma serem simples produto da imaginação.

Em negação a esta última teoria, Natália jura ter visto uma dessas antas enquanto limpava a gaveta que usa improvisada como criado-mudo. Gilberto vai além: conta ter enxergado três delas fugindo para debaixo de sua cama quando se levantava às três da madrugada do dia seis de novembro para ir ao banheiro.

4 comentários:

ana g. disse...

aprendiz de júlio cortázar!

Nina disse...

Ah...então era isso o tempo todo...

jaquelonha disse...

Poxa, Gustavo!
Sou mesmo uma animal magnífico.
Obrigada pela homenagem, me emocionei.
fIk cOm dEuS!

Bartô disse...

Só as pessoas de coração puro conseguem enxergar essas admiráveis criaturas...!